quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fim?

Não sei como começar, por isso começo assim mesmo...
Sem saber. Porque não importa. De fato, não importa.
Mas e o que realmente importa?
Eu não lembro da primeira vez em que te ví indiferente.
Mas, eu lembro da primeira vez que eu olhei dentro dos teus olhos.
Eu perdí naquele instante alguma coisa que eu nunca mais recuperei.
E eu espero, ao menos, encontrar no fim desse texto alguma coisa, qualquer coisa, pois são realmente poucas as coisas que me fazem esquecê-lo.

Esquecer o resto do que poderia ser uma vida.
Isto é, a minha vida!
E eu acho que foi isso que eu perdí, dentro dos teus olhos, exatamente isso, porque foi neste mesmo momento que eu passei a me odiar. Me odiar tanto...
Eu, que mal consigo olhar em teus olhos, que mal posso compreender como você pode ser tão humano e tão perfeito ao mesmo tempo.
Não mereço tua mais modesta amizade, e tão pouco andar do teu lado, fingindo não desejá-lo, tão falsa, tão covarde...

Mas eu sei que, eu jamais poderia...
Eu... sua amiga, uma amizade tão mórbida...

Tu mal percebestes, no teu mais simples, mais tênue abraço que eu quase neguei, o quanto eu desejei abrigá-lo para sempre em meus braços e, enterrá-lo em meu peito...
Mas não, tive de deixá-lo recuar, como se a mais pura água escorresse entre meus dedos.
Seu rosto, um sorriso tão ameno, olhos tão ternos...

Eu ainda sinto um frio terrível, que mais e mais me faz recordá-lo e me assombra desde aquele abraço, seguido de um sonoro "se cuida".
Eu! Que me odeio tanto!
Que me odeio infinitamente!
Me odeio na mesma medida que o amo, por que não sou digna de um amor tranquilo, não sou digna de um conto de fadas, com príncipes e princesas.
Não sou digna de ti, nem de um amor indelével, qualquer que fosse.
Porque tudo que eu tenho é o resto de uma vida.
Uma vida insípida, estúpida.

Sem sorrisos falsos, sem olhares amorosos de rancor, monocromática.
Apenas repetições, repetições...
Se eu te encontrar, e exibir um sorriso triste, me entenda.
Me perdoe. Por que eu, não pude suportar, não pude entender, nem menos aceitar.
Sem culpa, sem razão, mas perdoe a minha imaturidade.
Ignora completamente minha derrota. A pior derrota, de quem chegou vendada, até o fim.
O fim do que poderia ser uma vida, uma história num livro, ou contada pelos nossos netos.

Eu...
Que mal posso olhar em teus olhos.
Que mal posso compreender.
Mal posso aceitar...



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p.s: esse texto não foi escrito hoje.

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O que eu sentia ontem: